sábado, 28 de setembro de 2013






Chuvas de Outono
Folhas caídas em desalinho
Cores esbatidas ao abandono
Mortas, ressequidas,
Vagueando como seres sem carinho.
Caminhei lentamente
Dormente
Ausente
A roupa colou-se ao corpo 
Que do Verão ainda esbanjava calor
O pensamento voando
Ansiando que o teu olhar
Ao chocar com meu,
 Me falasse de amor.
No corpo já encharcado
Sinto a anestesia da calma
E no rosto já molhado
Em miscelânea com a chuva
Entrego languidamente...
Os pingos da minha alma



Garça Real





sábado, 31 de agosto de 2013



SOLIDÃO






Hoje o chicote da solidão
Vergasta-me o corpo
As gotas sanguíneas tombam em podridão
Qual doente já em recobro
Qual ser na farsa do viver.
Essa vergasta é dolorosa
Mata o sentir em sofreguidão
Mas apazigua a lágrima chorosa
Que não tem rumo e nem razão.
A vida ergue os braços como pedinte
Encobre o olhar do sol aquecido
Os pés sangram no caminho
Procurando um ouvinte
Que não existe.
O corpo exausto tomba na calçada
No chão rasteja por um laivo de amor
Respira para a alma não ficar parada
E no cansaço da escuridão
Arranca o coração...
E dá um grito louco de dor.



Garça Real



sábado, 3 de agosto de 2013






Calou-se-me a voz
Na voz do teu olhar
Olhar que andava perdido
Desde o dia em que fomos nós.
Mil desejos no sonhado mar
E sufoco ao pensar-te comigo.
Estás mudado
Teu sorriso ficou pequeno
Seria então nosso fado?
Vivemos o amor feito à pressa
Perdidos no teu toque sereno.
Hoje este caminho,
Parece não ter fim
Mas nunca me peças...
Que te apague de mim


Garça Real




segunda-feira, 8 de julho de 2013



União





O teu abraço no meu abraço
O teu beijo nos meus lábios sedentos
O teu corpo exalando calor abrasador
Nossa união envolta em forte laço
Viver os teus com meus momentos
Transpirar com o nosso ardor.
A vela acesa,
Em volúpias de amor
A perdição do teu olhar 
Escondendo o verbo amar
Quais borboleta esvoaçantes
Que vigiam doces...
Este nosso sonho de amantes



Garça Real





domingo, 9 de junho de 2013


 

O caminho

 




 
Caminho descalça em sonho mergulhada
Rodeiam-me,
Buganvílias vermelhas
A alma sorrindo encontra a morada 
Pois aspira os odores 
De acácias rubras
De ar aquecido e humedecido.
Sinto-me navegar num baile de cores
Corpo brilhando 
Untado de óleos odoríficos de flores
Cheiros africanos
Paixão amante
Teu olhar velado mas alucinante
Um toque louco num grito rouco
Com o luar abrilhantando,
Tombamos em braços encalhados
Em corpos suados,
E já letárgicos...
Adormecemos amando



Garça Real





sexta-feira, 17 de maio de 2013





Liberdade




Hoje o vento é fustigante
Chibata-me a alma até sangrar
Escorrem gotas salpicadas de rubro corante
Apagam-se palavras que brotam sem parar.
Enegrece o céu já enublado
Um a um caem pingos grossos e pesados
Levanto as mãos para que escorram,
E em meus braços encharcados,
Tombam encaminhados à alma enegrecida
Tentando lavá-la, lamber-lhe a dolorosa ferida.
Depois escurecidos
  dirigem-se à terra envolta em humidade
São absorvidos
E nessa imensidão ficam desaparecidos
E ganham finalmente....
A almejada liberdade



Garça Real




quarta-feira, 17 de abril de 2013


Acorda-me...





Meus desejos aguardam tua chegada
A taça está repleta de sabores...
Silvestres, roxos , vermelhos
Desenham teu copo de odores...
Acende-se a magia de ti na vela cintilante
Escorrem ceras de paixão amante...
Os perfumes de poesia exalam 
O teu e meu corpo queimam na chama
Os odores  reclamam  vozes que se calam.
Adormeço banhada em luar
A alma afinal está vazia
O que quer ela calar?
Voa em silêncio sem tempo
Era só um lamento,
 Ou laivo que apenas sorria.
Então finalmente adormeço 
Só porque te queria presente
Não perdido em espuma ausente
E no infinito que me abrasa este tocar
Peço........
Acorda-me ao chegar.


Garça Real




domingo, 17 de março de 2013



Rumo




Que alma revolta a minha
O rumo está sempre incerto
A vida parece tirada da lotaria
Esconde-se numa total adivinha
O coração ora fechado ora aberto
Os passos em trilhos de pedraria.
Em concha me envolvi
Para sentir que desapareci
Nem tu, nem eu ,ninguém me vê.
Assim me julgava ofuscada
Mas afinal
 Minha presença está patente
Qual folha amarrotada
Se apareces ...
Implorante, amante e carente.


Garça Real


domingo, 10 de março de 2013

Beijo




Corrói-me esta saudade de ti
O sonho  encosta-se à solidão
Anseio -te banhado em mim
Fazendo-me pulsar o coração.
Apareces sempre de rompante
Beijando em sofreguidão
Mas ao mesmo tempo 
Transbordas  em carinho
Tão próprio de um amante.
Teu olhar suplica mimo
Teu toque é vigoroso e amoroso
Miscelânea de paixão e amor
Momentos de ardor em horas loucas
Em que unidos confundimos
O doce sabor...
Da junção de nossas bocas



Garça Real





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013




A busca





Já percorri as rua da cidade
Contei-lhes o meu segredo 
Em cada esquina teu rosto
Teu olhar perdido na busca incessante
Dias que marcam a saudade
Sombras fugazes de  paixão amante,
Em que a chuva tomba em degredo
Banha-me a face deixando o sal como gosto.
Afago-te na neblina
E cansada e entorpecida
Grito nas entranhas teu nome
Que já em rouquidão...
Sai lento e em surdina




Garça Real



domingo, 27 de janeiro de 2013








Bebia-te avidamente...
Como se fosses mistura de frutos exóticos
Saboreava-te lentamente
Em volúpias de cantos eróticos!
Bebia-te avidamente...
Qual miscelânea de sabores tropicais
Exalando o calor tórrido da paixão
Em danças quentes e sensuais,
Em que os sentires entram em colisão!
Num voo levado lentamente
Numa entrega de lábios sedentos
Em beijos longos e lentos
Tocava-te e...
Bebia-te avidamente.




Garça Real




domingo, 6 de janeiro de 2013





 A procura





Pela calçada desce o entardecer
Alheia desço com ele
Olhar perdido quase a esmurecer.
O caminho, a casa me conduz
Ao redor nada me seduz.
Encosto-me ao candeeiro acinzentado
Donde já emana luz amarelada
Cabeça encostada
Gola subida e aconchegada
Olhos fechados , talvez a sonhar
Também eles em uníssono com o coração
Procuram na chegada da escuridão...
A louca paixão de um olhar.


Garça Real



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012




BOAS FESTAS









Natal é nascimento
É alegria em reboliço de cada criança
Sonhos desejados na espera do momento
Dos presentes  embrulhados em esperança.
Vamos juntar a vossa com a minha mão
Implorar a luz para o nosso caminho
Lentamente abrir o coração
Esquecer agruras que ficaram para trás
Em uníssono lembrar a palavra carinho
E todos juntos...
Construírmos o elo da paz.  




QUE O NOVO ANO VENHA REPLETO DE MUITA LUZ E ESPERANÇA
    








A todos um 

BJGRANDE DO LAGO




sábado, 1 de dezembro de 2012





Há loucas paixões
Ou paixões loucas
Que arrebatam os corações
Que fazem pulsar lábios carentes
Quando há a junção das nossas bocas.
As mãos quase dormentes
Percorrem ávidas teu corpo quente,
O sonho tomba na realidade
O momento mata aquela saudade.
O beijo é tão profundo
Que o sabor prevalece
Não mais adormece
E sente que o tempo...
Conseguiu parar o mundo.



Garça Real





domingo, 4 de novembro de 2012







Amei-te quando sèriamente me olhaste
Sonhei-te quando nesse olhar me intrometi
Desejei-te quando na noite me chamaste
Quedei ,
Quando em teus braços me perdi.
Toco-te como vivendo em degredo
Ofereço-te o corpo meu
Que em desvario fizeste teu
Pois não tem fim este segredo
De em ti viver
Teu calor absorver
Num solfejo de notas perdidas
Tocadas em melodias já esquecidas
Deixando um rasto  
De momentos enlouquecidos
Em lençóis quentes...
E desesperadamente aquecidos.



Garça Real





quinta-feira, 11 de outubro de 2012









Deixaste teu odor adocicado
No meu corpo amaciado
Lábios quentes e envolventes
Corpo belo suando atracção
Na entrega de corpos carentes
Num jogo louco e lento de sedução.
Encontros furtivos
Em tardes escaldantes
Cheirando a esse doce silvestre
Onde reside a perdição dos amantes
E dessas volúpias que me deste.
Dou-te o beijo que pediste
Envolto nas asas da doçura
Pois no dia que furtivamente sorriste
Meu corpo esvaíu-se...
Absorvendo tua inebriante loucura.



Garça Real





quinta-feira, 20 de setembro de 2012






Roubaste-me o entardecer
Quando na penumbra meia escondida
Vagueava só para te ver.
Roubaste-me a mente em ti perdida
Surgindo num aceno tentador
Com tua lânguida mão para mim erguida
Num querer tão pecador.
Roubaste-me a quietude
Em beijos tão carentes
E deliciosamente ardentes
Preenchendo-me em plenitude.
Roubaste-me o corpo tremendo
Encostando o teu ao meu
Em carícias escorrendo
Levando-me ao toque tão teu.
O sol posto lentamente desapareceu
Juntaste o teu ao meu querer
Porque nosso segredo exigiu
Que assim...
Me roubasses o entardecer.


Garça Real




 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012








Aflige-me a rua iluminada
O amarelo esbatido do candeeiro solitário
A insónia que me banha o sentir
O esbater na noite amarelada 
E o vaguear no mundo imaginário.
Volto à realidade...
Vislumbro tua sombra em tua janela
Passando lenta e tão singela
Desenho teu olhar na paleta da vida,
Sem querer...
Vejo-te espreitar
Como que a sonhar
Vagueando nesta noite para nós perdida.
Escorridamente deixas saír um aceno
Fugaz
Audaz
Prometedor.
Como que a divagar,
Encosto o dedo aos lábios rosados
Esboçando o sentir em desejo
E desses lábios já corados,
Fecho os olhos...
E atiro-te um beijo.


 Garça Real





sábado, 11 de agosto de 2012






Noite após noite...
O sentir tocando-me em turbilhão
Caminho lenta na sombra mergulhada
Não há grito que me afoite,
Não há toque 
Que me esbarre no coração .
Uma imagem, um querer, um olhar
A recordação do toque passado
O grito clamando o sonhar
O sentir tombado e ressacado.
O ser escorre amor
O querer liberta a dor
Mas... 
A alma liberta e insaciada
Sente que se esvaíu o amar
E agarra o ser...
Partindo unidos num longo levitar.





Garça Real





 

sábado, 21 de julho de 2012









Meus passos amarfanharam a calçada nua
No pensamento bailava a imagem de ti
Não me ocorreu que tinha destino naquela rua
Pois fechei os olhos e então sorri.
Aquele desejo louco de te ter
De sentir tua mão meu corpo percorrer.
A jura do partir e não ceder
Mas a atracção de em ti viver.
Ver-te na janela do proibido
No encontro escorrido de loucura
Um não travar desta paixão
Mas na entrega da doçura
Que força sempre sem querermos,
O toque da tua com minha mão,
No momento desmedido....
Desta nossa secreta união.




Garça Real