terça-feira, 3 de julho de 2012








Caminhava,
No areal desértico daquela praia
Indiferente às pegadas na areia molhada
Que a onda apaga sempre que se espraia.
Fui absorvida pela imensidão daquele mar
Fechei os olhos
 E senti o vento matítimo no cabelo já humedecido,
O rosto
Implorando o afago do último raio solar,
O corpo
Tombou na areia totalmente perdido
Indiferente ao ir e vir das ondas que o tocavam
E que nele um sabor a sal deixavam.
E naquele entardecer em que mergulhei,
 Estendi a encharcada mão
E vislumbrei...
Os fragmentos espalhados do meu coração .




Garça Real





quinta-feira, 14 de junho de 2012








Não és amor...
 Quiçá uma paixão
Ou até loucura de momento
A que chamo pura ilusão,
Que resolvi tornar meu alimento
Na cisma vincada de te ter nesta passagem.
Depois tudo se vai
Fica a doce recordação
O brilho da tua flutuante imagem
Um sonho que voou no infinito azul
Onde lentamente passei minha mão
E contigo permaneci
E que junto a ti sorri e vivi.
Hoje não és desilusão
Mas o corpo belo
Onde deixei tombar um pouco....
Do brilho do meu coração.




Garça Real



 

domingo, 3 de junho de 2012






A noite desafiou a madrugada,
Encostada à minha insónia teimosa
Sentada no leito em solidão
Com a alma nostálgica e desgastada,
Qual face carregada e chorosa
Mergulhei na profundeza da escuridão.
Senti como que o passar do corpo teu
Quente, atraente e envolvente
No toque dos teus lábios no corpo meu.
Cerrei os olhos e matei o olhar
Assim deixei de te ver
E na confusão do sonho com a realidade
Atirei-me para trás de mansinho
Mão sedenta do teu carinho
Senti que ia adormecer
Como se tivesses chegado... 
Para eu te tocar e te ter.



Garça Real





quinta-feira, 17 de maio de 2012







Hoje rasguei a alma
Em fúria cuspi a vida
Olhei a natureza e assumi sua beleza
Mas segui...Talvez amargurada
Queria guardar a palavra amada
E não o momento em que se esvai perdida.
Implorei o retorno de minha calma...
Porque terei esta alma revoltada?
Dependerá dos dados numa jogada,
Talvez perdidos no infinito de mim?
Não...Nego essa realidade
Esbato-me quando perco carinho
Escalavrei a palavra saudade
 Derreto o gelo no escorrer de um mimo.
Olho o céu em esplendor
E desfaleço
Pois mesmo tombada
Nele está escrito como terna balada
Que sou a vida em amor...





Garça Real







sábado, 28 de abril de 2012










O sol despertou brilhante
Entrou em mim pleno de esplendor
Sacudiu-me desta letargia
Que mais parecia maleita de que sofria.
Trouxe-me uma melodia vibrante
Que escorria quadras de amor
De uma juventude ultrapassada
Em que odores agrestes
Outra terra me lembrava.
Senti as mãos plenas de frutos silvestres
Tua imagem bailando na dança da sensualidade
Que de ti escorre e me arrebata à liberdade.
Estendi lentamente a mão
Como deixando pingar uma gota do coração
E então resplandeci
Não mais adormeci
E num sorriso acabado de fabricar
Vi então...
Como ainda é possível amar!





Garça Real




segunda-feira, 9 de abril de 2012






Encosto a cara à vidraça embaciada
Passo a mão que fica humedecida
Aclara-se a rua iluminada e amarelecida.
Ergo o olhar após uma lágrima tombada,
Perdida.
Ali estás tu atrás da tua vidraça
Olhar perdido e doce em mim pregado
Por vezes parece ter uma mordaça
Ou um toque amargurado.
Apenas um fugaz aceno
Um sorriso escorregadio na noite brilhante
Como o teu toque doce de amante.
A alma fica aquecida,
Mergulhada na recordação
O coração menos amargurado
E no recolher da noite,
Sabemos que nosso segredo...
Ficou ainda melhor guardado



Garça Real







domingo, 1 de abril de 2012






Uma Feliz Páscoa
Vamos unir a vossa com a minha mão
E lançar sobre o planeta
A união do nosso coração.



Garça Real







terça-feira, 13 de março de 2012






Lá...
Onde a luz cruza o Universo em beleza
E não existe sinónimo de tristeza
Estás tu!
Sempre presente e sempre ausente
Sempre meu no toque de luz brilhante
Tua mão em uníssono na nossa união
Porque há muito fundimos o coração.
Numa Garça rumei ao infinito distante
Lá fiquei...
Havia estrelas e luar cintilante
Loucamente te amei
E tu envolto na tua neblina
Na mão trouxeste o calor de um amante
Sussurraste palavras em surdina
E juntos num longo sabor de um beijo
Banhado em laivos de desejo
Fizemos um juramento!
Amor eterno....
Unidos tão sòmente naquele firmamento.



Garça Real





sábado, 18 de fevereiro de 2012







Olhei-te, vi-te, desenhei-te em poema
Serias sonho ou realidade?
Não destrinço a barreira da verdade
Não sei se és o amor de um tema
Se sonho contigo e por ti estou envolvida.
Se acordo vejo-te dançando,
Em acácias floridas e de odores quentes
Teu toque arranca-me à imaginação...
Já perdida
Sinto calor a escorrer no meu corpo
Ainda bailando.
Olho as mãos e o desejo tão carentes
Pois meu voo é tão alto e profundo
Que lá do alto se espraia na beleza...
inexistente
Onde o corpo se banha e emana luz...
reluzente
E quando a alma já liberta
Se entrega trémula bem ao fundo
Olha para baixo e grita...
Este não é o meu mundo.



Garça Real






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012






Subi a gola quente do casaco acastanhado
Abracei a neblina gelada e matinal
Própria de um Inverno pouco desejado
Que gela os ossos de forma descomunal.
Em passos lentos pisava o gelo da calçada
A mente levitava para lá da neblina
Na busca da jornada ou do caminho esquecido.
Ao longe, leve sombra abraçava sua amada
No entrelaçar de um coração aquecido.
Parei...
À frondosa árvore me encostei
Magiquei se poderia emitir um sorriso
Saberia fazê-lo?
Ou iria novamente perdê-lo?
Baixei o olhar para a calçada enregelada
E quase envergonhada
Fiz renascer o que há tanto perdi
E....
Finalmente sorri



Garça Real





segunda-feira, 16 de janeiro de 2012







Vesti-me de solidão....
Com a mão, rasguei o peito
Dilacerei o coração.
Terminou o ciclo já tão longo
Era afinal o único jeito
De cortar o elo já hediondo.
O amor ficou esfarrapado
Agora espezinhado em chão gelado
Num Inverno que durava até na primavera
Pois o tempo matou o tempo.
Os anos escureceram a caminhada
Onde se apagara a nossa pegada.

O gelo banhava a alma de forma severa
E na podridão da escuridão,
Já moribunda e perdida pelo mundo
Aquela palavra chamada carinho
Estava esquecida....
Nesse turbulento e longo caminho.




Garça Real








terça-feira, 3 de janeiro de 2012








Quero amar-te com coragem
Sem palavras ressentidas na bagagem
Num voo belo sem ansiedade,
Onde o teu corpo
Ao meu se encosta ardentemente,
Num sentir único banhado de liberdade
E onde te toco e misturo,
A tua com a minha mente.
Corpos unidos em sonhos desejados
Lábios quentes e atordoados
Na envolvência da noite louca
De um sorriso escorrendo da tua boca
Pois deixou de existir
O momento de degredo
Porque agora vivemos....
Este tão grande e nosso segredo.




Garça Real






sábado, 17 de dezembro de 2011





FELIZ NATAL







Tocam as cornetas celestiais
Os trenós iniciam sua viagem
Visitam terras e caminhos divinais
Sentem a neve no fresco da aragem.
Crianças clamam seus presentes
Brincam enlevadas pelas luzes brilhantes
Chegam familiares há muito ausentes
E trazem alegrias e forças revigorantes.
Nesta quadra de união
Celebremos a festa do Deus Menino
Sejamos como ele pequenino
E vamos todos...
Dar a nossa mão.



A TODOS QUE ME VISITAM UM FELIZ NATAL

COM AMOR E MUITA PAZ



E



QUE O 2012 NOS TRAGA ALENTO,
SAÚDE E ALEGRIA








UM EXCELENTE ANO




UM

BJGRANDE DO LAGO



Garça Real




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011







Encharca-me a alma,
A chuva morna e Outonal
Peço ao céu que me banhe de calma
Para poder voar no azul celeste e real.
Através da vidraça embaciada
Vejo as folhas que as árvores abandonam
Levadas pelo vento da estação
Pisam a calçada já molhada
E numa balada envolvem-me o coração.
Sem querer vejo teu rosto esbatido
Parece pedir só mais um momento
Mas o invólucro já foi partido
E levado pelas águas banhadas de sofrimento.
Impávida oiço a canção do adeus
O olhar procura outro sonho brilhante
Onde a entrega é de força amante
E como por magia estendo a mão
Olho o infinito e recuso-me...
Pintar a cor da solidão.




Garça Real





sábado, 12 de novembro de 2011







Tortuoso é o caminho
Curvas e ravinas o rodeiam
As aves abandonam o ninho
Meus passos as pedras ladeiam.
Sangram os pés humedecidos
Tombam as lágrimas teimosamente
Atrás a poeira toca os braços já doridos
Pela cabeça escorrem os cabelos tristemente.
O corpo é abraçado pelo céu enublado
Os pingos de chuva arrefecem as feridas abertas
O rumo é o caminho já pisado
Inundado de folhas amarelas e outonais
Pois terminaram os tempos estivais.
Agora tento apanhar a flor já esmaecida
Pois por vezes...
É este o caminho da minha vida.




Garça Real





quinta-feira, 27 de outubro de 2011






Quebrou-se o encanto,
Que me envolvia docemente
Que bordava com volúpia o meu manto
Quando te olhava ternamente.
O corpo adormeceu,
A alma ficou empalidecida
O coração escureceu
O sorriso a boca abandonou
E rasteja triste na terra humedecida,
Na companhia da lágrima que tombou.
Agora vagueia perdido o olhar
Nem mesmo reconhece a palavra pranto
Pois esqueceu o momento do sonhar
Porque...
Quebrou-se o encanto.




Garça Real




sábado, 8 de outubro de 2011





O sol banha-me o corpo desnudado
O olhar perde-se em lento pensamento
Recordações ou sentir amuado?
Sinto o toque leve do vento passante
Na carícia bela de um coração amante.
Na paleta das tonalidades,
Por vezes pintam sentimentos, noutras a saudade
Escorrem tintas e tintas de tantas cores
Mergulho os dedos num tom empalidecido
Deixo que o ser pinte por mim
E surge das profundezas
Um momento adormecido.
Vejo então que esbati,
O contorno do corpo teu
Que deixou de ser ou nunca foi meu.
Tomba a gota salgada da emoção
Pois afinal...
Pintei com as lágrimas do coração.



Garça Real





quinta-feira, 22 de setembro de 2011






Hoje sinto no corpo amortecido...
O cheiro de acácias rubras em flor
De terras quentes que circulam no meu ser
Onde o sol afaga abrasador
Pois laivos de tristeza vivem no esquecido.
Hoje sinto no corpo amortecido...
O escorregar de areias nas dunas do deserto
Espreitando ao longe a Mirabillis esverdeada
De folhas tombadas em busca de água escassa
Onde o azul do céu tem tom aberto
E ela espera um insecto esfomeada.
Hoje sinto no corpo amortecido...
O suco de frutos tropicais,
De flores exóticas
Banhadas em cores especiais,
Onde o pôr do sol
Se expõe em fogo em seu esplendor,
E no entardecer há corpos em danças eróticas.
Entreabro os olhos em letargia
Era o sonho tocando o corpo caído
No ar pairando momentos de magia
E eu revoltada não querendo...
Saír deste corpo amortecido.




Garça Real






quinta-feira, 8 de setembro de 2011





A noite foi longa e de sono profundo
Arrancou-me à vida e à realidade
Roubou-me ternamente do meu mundo
Ofereceu-me talvez o sonho da saudade
Onde te via entregue no desvendar do sonhado.
Vagueava em mim a volúpia do ambiente avermelhado
Do sentir teu corpo na presença da ausência
No escorrer de mãos em desejo acariciado
No ter presente aqueles dias de louca envolvência.
Toquei-te na loucura da noite de breu
Entreguei-te o corpo que é meu
Mergulhei na louca profundeza
Em pétalas belas de rara beleza
E abraçada ao que de ti ficou,
Parti contigo
No sonho ou no real...
Que teu abraço, o meu abarcou.





Garça Real





terça-feira, 23 de agosto de 2011







Tenho sede de amor...
Não para abraçar a solidão
Mas abrir docemente o coração
E não chorar a lágrima da dor.
Tenho sede de amor...
Para voar nas asas da liberdade
Sem conhecer a palavra saudade
Mas viver um momento de esplendor.
Quando o meu voo caminhar para ti
Levando a enorme ternura de mim
Quero lançar o grito repleto de calor
E ternamente mostrar ao mundo,
Que saciei ...
Esta tremenda sede de amor.



Garça Real